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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Natal na ilha do nanja!!!

Natal chegando, tá na porta!
Mais alguns dias e estaremos vivendo o dia mais especial do ano: o nascimento de Jesus Cristo. Vivamos esse dia na plenitude do que ele representa, que sejamos amados e amáveis, que sejamos unidos, que nos sintamos protegidos. Que a beleza dos enfeites e das luzes que  decoram todo lugar seja uma representação da verdadeira luz interna de cada pessoa, a luz Divina! 
                                          Feliz Natal e  Ano Novo!!!


                                          
        O texto abaixo é lindo, mostra como deveria ser um Natal fraterno.


                                     Natal na Ilha do Nanja
Cecília Meireles


Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.

Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.

Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"

E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar. Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presepio. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso!

            Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!
Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.

Na Ilha do Nanja é assim. Arvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com. pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só.
É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.

Texto extraído do livro “Quadrante 1”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966, pág. 169.


Saiba tudo sobre a vida e a obra de Cecília Meireles visitando "Biografias".
http://www.releituras.com/index.asp



* Sou  apaixonada por Cecília Meireles
  
Desejo que todos tenham um Natal de "Ilha do Nanja" e que sua magia perdure por todo 2012.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A casa de cada um

O ano está acabando e é inevitável as reflexões, indagações, dúvidas, sonhos, desejos...
Todos querem acertar, todos queremos o melhor para nós e para o outro, então o que conta é o que cada um carrega dentro de si, que o mundo conspire para que nossa vontade seja a vontade de Deus na nossa vida, que façamos o que nos compete para que aconteça. 

O texto abaixo é uma boa reflexão de final de ano, talvez alguns já conheçam...

Nesta época, gosto de tratar da vida. Dou a roupa que não uso mais. Livros que não pretendo reler. Envio caixas para bibliotecas. Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem: "Leia e passe para frente!".
Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.
Penso na história dos Três Porquinhos. Cada um construiu sua casa. Duas, o Lobo derrubou facilmente. Mas a terceira resistiu porque era sólida. Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente.
Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida, depende de como é construída. Muita gente se aproxima de mim e diz: Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade! Estremeço.
Freqüentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada. Mas sem alicerces. As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se.
Na minha área profissional, isso é muito comum.

Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro. Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?
Há quem largue tudo por uma paixão. Um amigo abandonou mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar. Deixa de brincadeira , ele respondeu.
Eu sei voar, sim! rebateu ela.
Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou. Gritou por socorro. Quase despencaram. Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!

Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger. Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas.
Tenho um amigo que não sabe dizer não (a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada). Empresta seu dinheiro e nunca recebe. Namora mulheres problemáticas. Vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais. Outro dia lhe perguntei: Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você?
Garante que no próximo ano será diferente. Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.
São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga.
Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.
Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei:
Agora você pode comprar um apartamento para morar.
Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha. Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!
Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí. Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios?
Deixei alguma telha quebrada?
Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira?
Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?
É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável.
Sou envolvido por um sentimento muito especial.
Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa.
O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar!
E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida.

 texto de Walcyr Carrasco

Meus queridos amigos que estivemos juntos neste ano de 2011, que todos tenham um Natal e Ano Novo de paz e felicidade, que em 2012 voltemos a nos ver com saúde e alegria. 
Beijos!
  

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Festa das Flores


Ontem 16 de novembro, sexta-feira, foi o último dia da 73ª Festa das Flores de Joinville que iniciou  dia 11.
Esse evento teve início em 1936, no Kolonie Zeitung, jornal na língua alemã que relatava acontecimentos na Colônia Dona Francisca e Joinville desde 1863. 
Costumamos, assim como a maioria dos moradores da cidade, visitar a feira e com o passar dos anos percebemos mudanças significativas, mas em todas o colorido e a beleza das flores permanece. Meu marido que é nascido aqui diz que a feira está muito industrializada, comercial, antigamente como conta a história, as flores e orquídeas eram emprestadas por moradores da cidade que cultivavam o ano inteiro levando para a feira suas melhores plantas. 
Meu sogro participava da AJAO - agremiação joinvilense de amadores de orquídeas, tinha viveiro de orquídeas em casa. Antigamente junto com seu filho, meu marido, e outras pessoas organizavam o espaço reproduzindo jardins de rara beleza.
Uma cena que meu marido contou que achamos engraçado e rimos muito apesar do grande feito, foi que numa dessas feiras e ele ainda criança, ficou escondido numa planta com um regador que era abastecido com água carregada com balde, imitando um chafariz. 
Essa festa das flores não foi igual as outras, meu sogro, o "opa" como o chamávamos, o Fritz como era conhecido, Seu Adalberto, faleceu dia 28 de outubro aos 77 anos. Quem sabe lá em cima tenha um viveiro de orquídeas para ele cuidar...

o opa e a neta, minha filha bem bebezinha, numa das exposições da festa das flores!

http://www.festadasflores.com/

 essa é a festa que o opa não esteve presente, pelo menos fisicamente

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Porque nada é para sempre nessa vida



Steve Jobs morreu assim como morrem todos os dias outras pessoas, pessoas comuns que só os mais chegados tiveram oportunidade de conhecer, conviver e falar delas. Como eram, o que fizeram de bom ou não. Porém a vida de Steve Jobs por ser quem era, fez o mundo inteiro falar dele e de suas ideias brilhantes que  foram além do profissional. Ficamos conhecendo o que ele falou e deixou escrito sobre o viver e o morrer. Particularmente achei bonito, gostei do que li. 
"Lembrar que eu logo vou estar morto é a ferramenta mais importante que eu já encontrei pra me ajudar a fazer grandes escolhas na vida".
"Ninguém quer morrer. Mesmo as pessoas que querem ir para o Céu não querem morrer pra chegar lá. E mesmo assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos".
"Tenha coragem de seguir seu coração e sua intuição".
                                                                               (Steve Jobs)
Quando se é jovem, criança ou adolescente, ou mesmo adulto, costumamos  viver os dias sem pensar no amanhã no sentido de último dia. Essa compreensão, apesar da minha idade, não esteve sempre comigo, confesso. Pensamos no amanhã nas atividades práticas do dia a dia como trabalhar, passear, comprar, viver. E esse amanhã se repete milhares de vezes pra muita gente. Com o passar do tempo os afazeres do cotidiano por mais que tome o nosso tempo, ainda sobra algum pra dar lugar àqueles pensamentos que vão além do que nossos olhos veem. Por melhor que estejamos uma inquietação ou insatisfação vai se instalando. Raramente nos criticamos por nossos atos e mesmo que o façamos, percebemos que não fizemos o que era primordial: o preparar-se para o outro lado.
E o dia que isso começa a fazer parte da mente, ele fica lá martelando. É a hora de refazer os caminhos trilhados procurando esse algo a mais ou começar dali. Tudo depende só de si mesmo, é como arrumar uma mala pra viagem, decidimos o que levar e tudo deve ser acomodado sem deixar nada fora do pretendido.
Leva tempo, mas é preciso fazer e saber deixar fora o que não serve mais porque chegada a hora, vamos sós, assim como viemos.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Quando eu voltar a ser criança

 

"Ai que saudades que tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida..."

Poças de lama

Quando olho dentes-de-leão, eu vejo ervas daninhas invadindo meu quintal. Meus filhos veem flores para mãe e sopram a penugem branca pensando em um desejo.

Quando olho um velho mendigo que me sorri, eu vejo uma pessoa suja que provavelmente quer dinheiro e eu me afasto. Meus filhos veem alguém sorrir para eles e sorriem de volta.

Quando ouço uma música, eu gosto e sei que não sei cantar e não tenho ritmo, então me sento e escuto. Meus filhos sentem a batida e dançam. Cantam e se não sabem a letra, criam a sua própria.

Quando sinto um forte vento em meu rosto, me esforço contra ele. Sinto-o atrapalhando meu cabelo e empurrando-me para trás enquanto ando. Meus filhos fecham seus olhos, abrem seus braços e voam com ele, até que caiam a rir pela terra.

Quando rezo, eu digo Tu e Vós e conceda-me isto, dê-me aquilo. Meus filhos dizem, "Olá Deus! Agradeço por meus brinquedos e meus amigos. Por favor mantenha longe os maus sonhos hoje à noite. Eu ainda não quero ir para o céu. Eu sentiria falta de minha mãe e de meu pai."

Quando olho uma poça de lama eu dou a volta. Eu vejo sapatos enlameados e tapetes sujos. Meus filhos sentam-se nela. Veem represas para construir, rios para cruzar e bichinhos para brincar.

Eu queria saber se nos foram dados os filhos para os ensinarmos ou para aprendermos.

Aprecie as pequenas coisas da vida, porque um dia você poderá olhar para trás e descobrir que eram grandes coisas grandes.

Meu desejo para você?
Grandes poças de lama e dentes-de-leão!!!
 
 
imagem daqui:

sábado, 17 de setembro de 2011

Colore Primavera, Colore!

E chegou o doce setembro!!!

 
Esse mês meu blog faz 1 ano de vida!!! 

Ele me abriu janelas até então cerradas, fechadas, através dele me dei a conhecer e conheci muita gente maravilhosa do Brasil e fora também, isso tudo acrescentou muito à minha vida, sou muito feliz por isso!

Obrigada meus queridos amigos que aqui vem, adoro a visita de todos indistintamente!




A poesia abaixo é de minha autoria e já tem alguns anos, foi o assunto do meu primeiro post, vou repeti-la porque ela é o melhor de mim em contribuição à linda estação, a primavera!!!


Colore Primavera, Colore!

Vem primavera, vem!
Colore, colore tudo:
árvores, plantas,
flores de todas as cores,
o chão, o céu.
Vem primavera, vem!
Dá vida aos pássaros, para que cantem mais.
Às crianças, para que sorriem mais.
Vem primavera, vem!
Colore a vida dos pequenos, dos grandes,
não se esqueça dos velhinhos.
Vem primavera, vem!
Colore meu coração também.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Grandeza


Não consigo chegar num lugar e ficar quieta, paradona, sem falar com alguém ou  ficar só observando ao redor. Estava em um consultório médico e peguei uma revista enquanto esperava a minha vez. Esse gesto repetitivo a esses lugares e outros semelhantes já renderam ótimas leituras, muito proveitosas. 
Folheando a revista encontrei um texto que prendeu minha atenção, era como se eu estivesse vivendo o que lia. Gostei tanto que procurei saber quem era essa pessoa que escrevia tão bem e descobri então, que ela mora aqui na mesma cidade que eu. Ela é uma linda menina escritora!

Delicie-se com a leitura ... 
As sextas-feiras são especiais. Não por estarem perto do sábado e nem por anunciarem um descanso. O quinto dia útil da semana pode ser comemorado com uma visão de cima do universo. Não pense que estou falando de alguma terapia difícil para a compreensão humana – não se trata de aprender a flutuar e nem de transportar-se para outro universo. E, sim, de subir no andar mais alto de um edifício e observar, de cima, a vida que ferve neste dia da semana. Isso pode ser realizado, preferencialmente, no fim da tarde, quando o céu começa a ganhar tons alaranjados.

Eu descobri esta maneira simples de desfrutar o mundo quando precisei levar documentos a um amigo. Ele trabalhava no último andar de um dos prédios mais altos de Joinville. Os corredores, envidraçados, permitiam uma visão privilegiada da cidade. Os olhos podiam perder-se pela esquina do mundo. Mas os meus olhos resolveram caminhar pelas nuvens pintadas de amarelo e rosa pelo sol sonolento. Paralisada pela beleza desta artista chamada Mãe Natureza, comecei a lembrar de todas as boas coisas que me aconteceram durante a semana.

O abraço de meu pai, o beijo estalado de um querido amigo do trabalho, o gatinho preto que tentou entrar pela janela de minha casa, o vento frio que escapuliu pela fresta da porta e me fez querer enrolar um cachecol pelo pescoço. A sensação foi igual a ser surpreendida com uma rosa dentro de minha gaveta. Ao viver algo trivial, enxerguei sem querer o segredo do universo. E eu quis enxergar novamente na outra semana. Voltei ao edifício na sexta-feira seguinte.

Mas, ao invés de perder os olhos pelo céu, resolvi olhar para a quantidade de carros, pessoas e o mar de ansiedade que havia na rua. As pessoas pareciam formiguinhas, querendo dirigir suas caixas de fósforo mínimas. Ao olhar o tamanho daquelas pessoas, me senti enorme. Mas não superior – dali em poucos instantes, eu voltaria a viver no formigueiro. Felizmente, não com a mesma expressão ansiosa ou, até mesmo, nula.

Depois que comecei a olhar o universo de cima, aliás, eu nunca mais consegui reproduzir o rosto inexpressivo e imparcial que muitas pessoas vestem ao sair pelas ruas. Com um sorriso esticado no canto da boca, eu olho um a um, sabendo suas grandezas e pequenezas. Sabendo que lá de cima somos todos iguais. Que todos temos sonhos gigantes que se misturam ao sol e ao mundo. Todos temos segredos, remédios a serem tomados, papéis a serem rasgados, rostos a serem beijados. Nós somos o mundo. Mas de vez em quando, é bom olhar de cima, para lembrar o quão grandes e pequenos podemos ser ao mesmo tempo.
*Crônica publicada na revista Vida Plena
por Vanessa Bencz 
 
 

sábado, 20 de agosto de 2011

O olho é a janela da alma, espelho do mundo

Os olhos são os órgãos da visão, ou seja, da percepção da luz e portanto das formas e cores. “O aparelho visual sobretudo no homem é um dos sistemas mais perfeitos para se perceber o ambiente. Graças à visão, podemos mover-nos evitando os obstáculos, afastar-nos dos perigos, reconhecer os “amigos” e os “inimigos”. Enquanto outros animais confiam também em sentidos como o olfato ou o ouvido, para o homem, a visão é normalmente o principal canal de percepção do mundo exterior”.

No documentário Janela da Alma Saramago fala da idéia para escrever Ensaio sobre a Cegueira, quando se perguntou como seria o mundo se todos fôssemos cegos. De acordo com sua reflexão, a resposta é que já somos, tendo em vista a total desordem que assola o mundo.



Lendo o jornal local chamou-me à atenção a matéria abaixo: 

1028 joinvilenses enxergam assim

Em Joinville, 1.028 pessoas aguardam na fila para fazer cirurgia de catarata

A esperança de voltar a enxergar com nitidez exige paciência dos 1.028 joinvilenses que estão na fila para fazer uma cirurgia de catarata pela rede pública. A espera para quem entra hoje na fila pode chegar a quatro anos. E a lista não para de crescer, apesar dos mutirões esporádicos, feitos voluntariamente por oftamologistas, e dos cerca de 80 procedimentos por mês.
De acordo com médico Rodrigo Marzagão, cada um dos sete oftalmologistas que atendem na rede pública municipal realiza de três a quatro cirurgias por semana. No lugar destes pacientes, aparecem outros dez com a doença.

Refletindo sobre a matéria fico pensando nas pessoas que enxergam pouco, nas pessoas que não enxergam nada e nas pessoas que não querem enxergar!


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Imagem, é tudo!


Meu pai sempre me disse que somos constantemente avaliados. Eu não entendia direito o que era constantemente, nem o que era avaliado (na realidade confundi essa palavra, com avariado, até os 11 anos); mas entendia que era constantemente observado, quer eu estivesse nos campos do Quiriri, onde criávamos abelhas, ou em minha primeira viagem junto a meu pai, quando fomos de caminhão conhecer o parque eólico das salinas de Cabo Frio. Eu, quando criança, queria ser igual a ele, e se fosse eu hoje a criança de ontem, teria guardado dele outras imagens que as que trago em recordação, desde o dia em que ele partiu para seu novo sistema lunar: meu pai não gostava do sol, e preferia a noite!

Sou eu um pai sem nunca ter sido. Ainda não experimentei essa grandiosidade, mas com afeto me transporto, para a rotina daqueles que se tornam aos adultos, lembranças tão meigas de quando estes eram crianças.

Procuro nos álbuns de outrora, ele viçoso, ele compromisso, ele grandioso com seu 1,70 cm; gigante para uma criança de 7 anos. E dentro de uma caixa de recordação de esperas, sua Rolleiflex toda cheia de história, tão indiferente ao fato de ter custado tão cara, tão indiferente ao fato de ter guardado coisas tão preciosas, registrado as imagens perfeitas...meu pai dizia que nenhuma máquina produzia tanto fascínio nele quanto aquela máquina fotográfica, modelo SL66.

Pessoas já me ofereceram dinheiro alto por esta relíquia. Preta e prata, de 1966, dum tempo em que eu ainda não era nascido. Já pensei em doá-la a um museu, mas não consigo. Ela não é somente uma máquina, é a impressão digital de uma época que nada era digital, e tudo era fascínio...até esse olhar romântico sobre o que é passado.

Imagem é tudo, dizia meu pai, até os seus cinquenta e quatro anos. E isso não estava condicionado ao corte do cabelo ou a reserva no restaurante. Nem mesmo à Rolleiflex que ele tanto gostava, e que deixou estática, para sempre, aquele seu rosto, teimoso em não sorrir. Para ele, a imagem estava na imponência de ser visto sempre, ou com uma mão estendida, oferecendo cumplicidade, ou com as mãos recuadas, demonstrando a hora certa de retroceder. Assim como fazem os presidentes. Assim como ele está retratado, em frente ao portão, em sépia, pela Rolleiflex SL66. E registrado em mim, em cores, na imaginação reportada da infância. Que nada tem de presidencial, mas de majestosa.




Marinaldo de Silva e Silva é joinvilense, é formado em letras e em língua italiana. Ele já escreveu os livros “O Beijo de Mephisto”, de 2002; “Cânticos de Eva”, de 2006; e “Poesia para as Crianças quando Ficarem Adultas”, de 2009. Desde janeiro, escreve crônicas no “Anexo” todas as sextas-feiras, e também faz a coluna “Mr. President” na revista “Premier”. Marinaldo é funcionário público da Biblioteca Pública Gustavo Ohde, em Pirabeiraba, e promove a leitura entre crianças e adultos.

Parabéns e felicidades  aos Pais!!!

Imagem, é tudo
Por: M. DE SILVA E SILVA

domingo, 7 de agosto de 2011

Seja bem-vindo Guilherme!


 segurando a mão do pai!

Quando Nasce Uma Criança

Crianças Diante do Trono

Quando nasce uma criança
O mundo inteiro sorri
Porque brilha a esperança,
De algo bom que está por vir
Deus tem um plano para cada bebê
Antes mesmo de nascer
Um lindo proposito uma missão
Um sonho gravado em seu coração
Pra viver e marcar sua geração
E você também precisa saber
Que antes mesmo de nascer
Deus já tinha um plano pra você
Um lindo propósito uma missão
Um sonho gravado em seu coração
Pra viver e marcar sua geração
Hey....viva...hey....viva
Quando nasce uma criança
O mundo inteiro sorri
Porque brilha a esperança,
De algo bom que está por vir
Deus tem um plano para cada bebê
Antes mesmo de nascer
Um lindo proposito uma missão
Um sonho gravado em seu coração
Pra viver e marcar sua geração
"Você nos consolará e nos trará descanso"


Minha sobrinha, abençoada por Deus, teve um parto tranquilo, foi forte e corajosa e toda a gestação deu um banho de elegância, beleza, alegria e felicidade estampada em seu sorriso lindo!
A família tá vibrando e não cabe em si de tanta felicidade pelo nascimento do Guilherme ontem, 6 de agosto!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O que fazem os que nada fazem?

 
Como aposentada eu tinha pra mim que minha vida seria um bel-prazer, eu decidiria o que, como, quando fazer algo. Em casa, sem precisar sair pro trabalho, maridinho também em casa, nós sem as filhas, a probabilidade era de que ficaríamos vendo a grama crescer, a folhinha seca cair da árvore. Não, não está  está sendo assim exatamente. Temos muito o que "lazer" ou o que fazer, quer dizer, o que estamos fazendo nós mesmos decidimos, mas não o ficar parado por falta do que fazer. Estamos envolvidos em colaborar com a família, minha mãe, sogros, irmãos, sobrinhos. As tarefas especificamente caseiras como cozinhar pra nós e pra minha mãe, e meu marido levando a marmita pra ela praticamente todo dia, colocar em ordem apartamento de duas sobrinhas, uma que já morava aqui e está para nascer seu bebê nos próximos dias, nesse caso colaborei costurando fraldas. Outra que estava morando fora e voltou, estamos ajudando a colocar a mudança no lugar, motorista particular para mãe e sogros... Para encurtar digo que a nossa vida, minha e de meu marido, está bem movimentada, seja para nós mesmos como viagem ao sul de quase um mês ou envolvidos em prol da família.

quem fez esta placa não tinha nada para fazer?!

 será?!

O que fazem os que nada fazem?  Foi a questão que intrigou a Naipe em uma terça-feira prolongadamente ensolarada em Florianópolis, o inverno soprando mais de leve, o dia perfeito te fazendo sentir um homúnculo por ter que trabalhar.


encontro café com amigas


Por que, santo Domenico di Masi  o pai do ócio criativo, você está no escritório enquanto alguém passeia com o cachorro às 15h pela beira da Lagoa da Conceição? Como é que há tantas pessoas livres à tarde? Claro, há muitos estudantes, aposentados, turistas, mendigos, donas de casa, gente que só trabalha pela manhã e...

 decoração no chá de bebê da sobrinha

A questão está nesse "e...". Quem é aquele sujeito classe média que tem a empáfia contracultural de levar os filhos para o parquinho, fazer compras, lagartear em frente ao prédio em que você se mata das 9h às 18h?

 nós dois no quebra-quebra do piso do ap da minha mãe

"Como é que esses caras sobrevivem?". Ainda curioso, intrigado, quase invejoso, ele termina o café, atravessa a rua, compra um jornal na banca e senta à beira da Lagoa para ler. Humpf!!!

O que o permite estar de folga bebendo cerveja, esfregando na cara do universo que ele está, sim, fazendo nada?

- Queres ser livre, leia! Comandante Ernesto Che Guevara! - fala alto, levantando um braço e já se afastando, afinal ele tem mais o que não fazer.

leia a matéria completa na Naipe

É, há um tempo na nossa vida que decidimos o que queremos fazer!

Com licença que agora eu tenho muito que lazer!


segunda-feira, 18 de julho de 2011

Ubuntu: somos todos um

Para refletir!
fazendo a corrente do bem, do blog da lady guedes,  essencialmente eco chic, a quem agradeço e compartilho  o "causo"  verdadeiro ou não e que vale pela mensagem de partilha!


"Um antropólogo ao terminar seus estudos sobre os usos e costumes de uma tribo africana, resolveu, propor a seguinte brincadeira: montou uma cesta repleta de doces e guloseimas e colocou debaixo de uma árvore. Chamou então as crianças e combinou que, ao seu sinal, deveriam correr até o cesto e aquela que chegasse primeiro ganharia todos os doces que lá estavam. As crianças se posicionaram e, quando ele disse "já!", deram-se as mãos e saíram correndo em direção à árvore onde estava o tal cesto, chegando todas ao mesmo tempo e dividindo os doces entre si, felizes. O tal antropólogo -- cuja "ficha" ainda não havia caído -- perguntou-lhes por que tinham ido todas juntas se a regra era que somente uma delas poderia ficar com os doces. Ao que as crianças responderam: "Ubuntu. Como uma de nós poderia ficar feliz se todas as outras estivessem tristes?" 


Segundo a Wikipedia, a palavra Ubuntu é um termo Bantu para a filosofia tradicional Africana que foca nas alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras.



Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!
ou, em Inglês: "I am what I am because of who we all are."
que, na minha tradução entendo assim: "Sou o que sou por causa daquilo que somos".

   imagem daqui
 Somos Todos Um!!!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Ser feliz ou ter razão

Eu me detesto quando tenho razão! pela dificuldade em provar!
Primeiro detesto a mim mesma e depois com quem é o embate! uauuuu!
Eu e meu querido marido (é verdade muitas vezes, outras nem tanto), vivemos algumas situações assim.


O texto abaixo ilustra bem a situação.



Oito da noite numa avenida movimentada.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo, assim como o caminho que ela conferiu no mapa antes de sair.
Ele dirige o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua à esquerda.
Ele tem a certeza de que é à direita.
Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderão ficar mau humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há problema algum em chegar alguns minutos mais tarde.
Mas ele ainda quer saber:
- Se você tinha tanta certeza de que eu estava tomando o caminho errado,  deveria insistir um pouco mais.
E ela diz:
- Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz. Estávamos à beira de uma briga, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite.

Moral da história: 
Esta pequena história foi contada por uma empresária durante uma palestra sobre simplicidade no mundo do trabalho. Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente de tê-la ou não. Desde que ouvi esta história, tenho me perguntado com mais freqüência: “Quero ser feliz ou ter razão?”

Diica de filme a respeito
http://www.adorocinema.com/filmes/alguem-tem-que-ceder/

Exercitando  a paciência e a tolerância porque faz bem a mim mesma e aos outros!
Ceder
              
     Desejo uma semana esplendorosa para você!
 

domingo, 3 de julho de 2011

Mr President-Abrace um amigo com os dois braços

Cinquenta maneiras elegantes de conquista
Primeiro foque e, mesmo que o alvo seja um negócio, um sonho, ou ultra-primaz como um grande amor, a maneira de alcançá-lo será sempre a mesma: A pertinência. Com personalidade.
Ao vestir-se nunca abra mão do clássico, mas equilibre com descontração, se necessário.
Use a voz como um contador de histórias. Alta quando se deve e suave, sempre que preciso. 
Não abuse do sol, mas não se refugie na sombra. 
Programe muitas viagens, mas preste atenção em sua casa.
Privilegie vinhos no jantar e água durante o dia. 
Leia alguns livros por ano sem usar a leitura como status.
Encontros e reuniões só com perfumes sóbrios; tente-os mantê-los escondidos, ou íntimos, deixe que pouquíssimos percebam.
Não gesticule muito, não tente ser italiano se você não é. Não bata portas, bata palmas.
Apareça na recepção com uma flor ou um vaso, de surpresa, e dê de presente mesmo sendo seu aniversário, comemore!
 Não peça pratos caros apenas para impressionar, lembranças de infância são bem- vindas.
Aprenda o valor de um Matisse, mas saboreie as pedras e sementes dos artesanatos.  
Nunca, nunca chegue atrasado, a não ser que você seja a noiva.
Chicletes? Só se for no parque, e na roda-gigante quando ela para e você fica lá em cima.
 Não conte histórias como quem conta vantagens, principalmente, quando você conhece o público ouvinte.
 Durma bem antes de decisões importantes, e se a decisão tomada foi em relação ao amor, no próximo encontro, tente não dormir nada.
Não desmereça nosso país dizendo: isso só acontece no Brasil, se do exterior só foi até a Argentina e ainda conhece pouco de sociologia.
 Não abrevie palavras no computador e principalmente, não crie hábitos estranhos.
 Dê uma gorjeta de vez em quando: se você fosse americano você daria!
 Não trate quem não tem dinheiro como quem não tem a vida e respeite quem não dá a vida em troca de dinheiro.
Diga eu te amo pelo menos de três em três horas: brincadeira! Isso é para lembrar você nunca perder seu bom humor.
 Acorde cedo, às vezes, para ver o sol antes dos surfistas.
Durma bem tarde, de madrugada, quem sabe logo uma estrela não se distrai e do céu se jogue.
Dirija sóbrio, leve a habilitação, privilegie a esperança, leia jornal todos os dias, não se concentre só no intelecto, dê uma chance para o espírito, respeite Deus, se for cristão, ou o homem, e estará fazendo a mesma coisa.
Abrace um amigo com os dois braços, porque na hora do abraço o corpo deixa de ser corpo e vira laço.
E então, sinta-se um presidente, e complete esta lista  encontrando suas próprias maneiras de conquista.


Marinaldo de Silva e Silva é joinvilense, é formado em letras e em língua italiana. Ele já escreveu os livros “O Beijo de Mephisto”, de 2002; “Cânticos de Eva”, de 2006; e “Poesia para as Crianças quando Ficarem Adultas”, de 2009. Desde janeiro, escreve crônicas no “Anexo” todas as sextas-feiras, e também faz a coluna “Mr. President” na revista “Premier”. Marinaldo é funcionário público da Biblioteca Pública Gustavo Ohde, em Pirabeiraba, e promove a leitura entre crianças e adultos.

 Pro dia nascer feliz!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A formiguinha e a neve

   Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais



Eu nasci no sul de santa catarina e já contei aqui. Ainda não contei foi sobre o inverno que lá era muito rigoroso. Morando há décadas no norte do estado há uma diferença significativa de temperatura. Estou passando uns dias aqui em horizontina no RS e hoje de manhã a temperatura de zero grau me fez lembrar do inverno em siderópolis,  minha cidade natal.
em santa rosa

Não tínhamos roupas como hoje não, era uma blusinha fina e casaco de feltro que a minha tia costurava, ele tinha na gola e nas barras das mangas um tecido peludinho, acho que era astracan e que só usamos para sair ou ir à igreja, nos pés um sapatinho e nada de botas, isso era coisa rara e pra ricos. O pior era as pernas e os pés porque menina só usava vestido ou saia, nada de calças. E eu sentia muito frioooo. Em casa tínhamos fogão a lenha e cobertas de penas.  
Então como tudo remete a uma historinha lembro também da historinha da formiguinha e a neve que já conhecia naquele tempo, mas não imaginava o que era neve. 

Numa certa manhã de inverno uma formiga saía para o seu trabalho diário.
Já ia longe procurar comida quando um floco de neve caiu prendendo o seu pezinho.
Aflita, vendo que ali poderia morrer de fome e frio, a formiga olhou para o Sol e pediu:
- Sol, tu que és tão forte que derrete a neve, desprenda o meu pezinho?
continue lendo aqui 


horizontina

Aproveitemos esse tempo frio para nos aconchegar com pessoas com as quais vivemos e com as que de repente encontremos nesse inverno.  


sábado, 18 de junho de 2011

Pode me emprestar uma xícara de açúcar?

As histórias sempre nos deixam uma mensagem, uma lição, como tudo na vida. Essa é uma história infantil e provavelmente muitos conhecem a primeira que é a história dos Três porquinhos, já essa é uma versão bem humorada escrita pelo polonês Jon Scieszka

Como tudo depende do lado que se está, toda história tem dois lados...

Faz mais de cinco anos que essa história  foi contada às crianças pela minha colega de trabalho Priscila, hoje terapeuta ocupacional.

 

 

 

 

Bati na casa de tijolos. Ninguém respondeu. Eu chamei: “Senhor Porco, o senhor está?” E sabe o que aquele leitãozinho atrevido me respondeu? “Caia fora daqui, Lobo. Não me amole mais”.

E não me venham acusar de grosseria! Ele tinha provavelmente um saco cheio de açúcar. E não ia me dar nem uma xicrinha para o bolo de aniversário da minha vovozinha. Que porco! Eu já estava quase indo embora para fazer um lindo cartão em vez de um bolo, quando senti um espirro vindo. Eu inflei. E bufei. E espirrei de novo.

Então o Terceiro Porco gritou: “E a sua velha vovozinha pode ir às favas”. Sabe, sou um cara geralmente bem calmo. Mas quando alguém fala desse jeito da minha vovozinha, eu perco a cabeça. Quando a polícia chegou, é evidente que eu estava tentando arrebentar a porta daquele Porco. E todo o tempo eu estava inflando, bufando e expirando e fazendo uma barulheira.
O resto, como dizem, é história.

Tive um azar: os repórteres descobriram que eu tinha jantado os outros dois porcos. E acharam que a história de um sujeito doente pedindo açúcar emprestado não era muito emocionante. Então enfeitaram e exageraram a história como todo aquele negócio de “bufar, assoprar e derrubar sua casa”.

E fizeram de mim um Lobo Mau. É isso aí. Esta é a verdadeira história. Fui vítima de armação.
Mas talvez você possa me emprestar uma xícara de açúcar”.