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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Criança diz cada uma - parte 2

1- Consulta de rotina ao pediatra:

Aos dois anos ela já falava quase tudo...
Meu marido é de origem alemã e de toda frase que fala, pelo menos uma palavra é em alemão  e  foi assim que ensinamos nossa filha a falar.  
O pediatra falou para mim que a colocasse sobre a maca e como a maioria das crianças ela tinha aversão a médicos e naturalmente agulhas.

Pronto, ela começou a chorar, gesticular e falar sem parar:
"Nicht, nicht, nicht, nicht...!!!
Em português significa: "não, não, não". Era não com a mão, com a cabeça e com a boca.



 2- Vaidade feminina

Havíamos acabado de mudar para um apartamento e tínhamos uma estante em estilo colonial, cujos pés eram em formato de bola que tinham um certo peso. 
Quando  se muda de casa sempre gostamos de fazer algumas modificações na mobília e foi assim que tiramos os "pés de bola" da estante e guardamos dentro dela.

Um casal amigo nosso veio nos visitar com seu filho que era um ano mais velho que a nossa filha. Enquanto conversávamos vimos quando eles tiraram de dentro da estante as tais bolas e começaram a brincar como se fossem dados. 
A certa altura o menino levantou a bola e jogou para minha filha, ela não conseguiu pegar e a bola bateu em seus lábios. Foi horrível! a bola cortou o lábio inferior deixando a mostra o dentinho.

Corremos para o hospital, ela no meu colo e eu segurando uma fralda com gelo para estancar o sangue.
Meu marido dirigia o mais rápido que podia e eu chorando por vê-la assim e  nos culpando, pela negligência em deixar os pés da estante em lugar que ela podia pegar.

No hospital ela foi envolta num lençol para que ficasse imóvel e eles fizessem a sutura. Ela levou cinco pontos. Foi muito triste e desesperador ver fazerem isso.
O médico falou que deveríamos dar sorvete (ela adorou essa parte ) e o leite com canudinho no lugar da mamadeira.

Horas depois na saída do hospital e já um pouco recuperada do choque ela falou:
    
 -Será que eu não vou mais poder tomar "bule"? nem chupar bico, nem passar batom?

Eram a sua maior preocupação.


Graças a Deus ela se recuperou bem e as marcas dos pontos são praticamente imperceptíveis.  

observação: 
Bule: para nós é a mamadeira, mas não encontrei a palavra em nenhum dicionário alemão.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Guten Morgen Joinville


Nove de março é a data do aniversário da minha cidade, Joinville.

A cidade em que se vive tem o jeito da gente, nela estão impregnados nossos sonhos, anseios, tudo o que vivemos.
Tudo o que ela nos dá.
Tudo o que damos a ela.

A cidade em que se vive é como a casa da gente: 
acostumamos com o que dispomos, com o que conquistamos. 
Nossos olhos vendo sempre os mesmos lugares, as mesmas pessoas.

Identificamo-nos com seu cheiro, com o céu, o sol, a chuva,  as serras que formam uma muralha que nos protege e nos encanta com sua grandeza, as árvores que acolhem os pássaros que com seu canto anunciam toda manhã o começo de mais um dia.

A cidade em que se vive é como os parentes e amigos que temos. É um referencial, assim como nos apresentamos a alguém falando de nós mesmos, falamos também da cidade em que se vive. Nela nascemos, crescemos e onde também crescem os nossos filhos.

É a minha casa grande, um lugar que se tem para voltar por mais longe que se vá.


 
Pórtico




História


A história começou com o casamento que celebrou a união da família imperial brasileira e a realeza francesa. A terra onde hoje está a cidade foi doada ao Príncipe de Joinville, em 1843, como dote da princesa Carolina, irmã do imperador Dom Pedro II. O casal não chegou a conhecer as terras. Parte delas foi negociada com a Sociedade Colonizadora Hamburguesa. Em março de 1851 chegaram os primeiros 118 imigrantes alemães e suíços, seguidos de um grupo de 74 noruegueses. Do ano de fundação até 1897, foram trazidos 28.000 imigrantes germânicos - operários, intelectuais, agricultores e profissionais liberais, que fugiam da Europa em busca de oportunidades no Brasil. Assim nasceu a Colônia Dona Francisca, que passou a chamar-se Joinville em homenagem ao Príncipe de Joinville. Os imigrantes trouxeram na bagagem o espírito de luta e de trabalho e, embora enfrentando toda sorte de dificuldades, conseguiram transformar uma terra inóspita e selvagem na maior cidade do estado e num dos mais sólidos parques industriais do país.


saiba mais:

fotos da cidade:  http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=969120

 by mr. canello

Uma brincadeirinha que só quem vive aqui há muito tempo deve entender...

*Para você que quer aprender alemão
 
*Ticionário do Alemon te Xoinvfile, Xaracuá, Pomerode, Plumenau, Prusque, e Atjacências

PANDA – (s.f.) - É um crupo te amicos, que se xunta bara fazer múcica. Norrmalmente, tem bor nome pandinha.

PAR – (s.m.) - O mesmo que Potega, policho, armacem que serve pepidas e tira-costo, como toresmo, quecho, mortatela, ofo cozito, etc.

PARACO
– a(s.m.) - Habitaçon popre, humilte, sem áqua, sem luxa.

PARALHO
– (s.m.) - Xoco de cartas. Muito abreciato nos pares e caças te família.

PIA – (s.f.) - No Brrasil tampém conhecita por lourra ou xelada. É um pepita veita a bartir do cevata, muito apreciata em pares e vestas.

PIÇAR
– a(v.) - Caminhar no grrama, caminhar no calçada; Ex.: Non piça no minha crama, vacapunto!

PIZICLETA
– (s.f.) - Meio te transporte te tois rodas, com traçon humana. Tem bedais e coreia.

POLZA – (s.f.) - Pjeto que serfe bara caregar vários coisa. Tem vários dipos: polza te mulher, polza bara lixo, polza te subermercato e polza te açons financerras (que non sei que é).  
 

PUTIÁ – (s..f.) - Lá no minha caza só o minha mulher é que costa de putiá. Eu e os minhas filhos non costamos de putiá porque é uma frutinho muito aceta,  xeca a tar arrebio.

REBUCHO
– (s.m.) - Eveito ta maré, depos te bater no praia, os ontas  foltam bara o mar.  
 

TIARRÉIA – (s.f.) - Tistúrbia dos tripas. Muito comum para quem come panana com gachasa e toresmo com chimaron, ou bepe pia xelada com linqüiça quende. É tão ruim o tiarréia, que teixa o xente suato e amarrelo.

XAROBE
- (s..m.) - Remétio xeralmente feito te erfas ou com mel e agrion. Muito inticato nos resvriados fortes, com muito tosse. 2) Intívituo chato, que costa te imbortunar, ou alco que não se coste. Ex.: A rátio ta Frida só toca músico xarobe!

XOTA
– (s.m.) - Técima letra to alfapeto.

XUNTO
– (adj.) - Acompanhato te alco ou alquém. Facer alcuma coisa com alquém. 2) - (v.) - Ato te xuntar alcuma coisa. Ex.: O Fritz xuntô a carta to paralho da chon.

ZIM
– (ex.) - O que diz pessoa que concorrda, aceida, deixa. Pessoa que sempre diz zim é conhecida bor concortino.

Autorr: Alemon te: 

*Prusque, Plumenau, Xoinville, Charraquá,Timpó, Intaial. 
Brusque, Blumenau, Joinville, Jaraguá,Timbó, Indaial.


       *        



  Ich liebe meine stadt  Joinville
***
Aposentei-me no ano passado e como professora que era continuo a me interessar por tudo que acontece.
As datas comemorativas sempre foram trabalhadas em sala de aula e muito especialmente o aniversário de joinville.
Não nasci aqui, mas moro há muitos anos e sou casada com um joinvilense nato de origem alemã, assim como a origem da nossa cidade e cuja convivência me fez aprender palavras soltas em “german/deutsch ”. Pensei então em escrever sobre a cidade através de um olhar poético e salpicado de “alemosidades” retratado no título e a “brincadeirinha” no final. Viver aqui e por tantos anos faz de joinville a minha cidade onde escrevi e escrevo a minha história.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Criança diz cada uma!!!

Minha segunda filha, quando ainda pequena era como são, a maioria das crianças: alegre, doce e naturalmente linda como são a filha ou filho de todo mundo.

Eu trabalhava como professora e dividia meu tempo entre cuidar dela, da casa e das tarefas escolares. O convívio com ela nesse tempo foi maravilhoso e rendeu boas histórias de momentos  que vivemos.
Como toda mãe, mesmo quando ela ainda não falava, era comum falar com ela e para ela. Mas quando ela começou a falar é que veio a parte mais divertida, nos deixando bobos, extasiados com o que ela dizia:

Algumas dela quando tinha quatro ou cinco anos:

1- Estava escovando o carpet e ela em cima da cama olhando o que eu fazia quando saiu com essa:
- A mãe devia ser empregada (doméstica ), a mãe gosta tanto de trabalhar!

2- Houve um tempo em que eu tive empregada doméstica, mas sempre achamos que quem sabe fazer bem feito os serviços domésticos somos nós, as patroas...Minha filha vivia pedindo para eu brincar com ela, e eu sempre com a desculpa do serviço de casa para fazer e ela me disse:
- Tu "não presta para nada" tu só sabes trabalhar!

 Vê-se nessa frase a inutilidade de ser boa dona de casa aos olhos de uma criança e a falta de tempo para nos dedicarmos aos filhos. 

Penso que o "não presta para nada" apesar de ser uma frase forte, não era uma frase dita em casa, se bem que sabemos que se usa para falar de pessoas e de objetos.

3- Sempre falava para ela sobre a importância de se alimentar, de cuidar-se,  onde e como andava para não se machucar e de Jesus, que nos ama e nos protege.
Então falava para ela:
-Pede para Jesus te ajudar a comer bem, para cuidar de ti....
E ela respondia:
-Não precisa, eu sei comer sozinha.
-Não precisa, eu sei me cuidar sozinha.

Outra:
Estávamos na cama e disse para ela que tem que se comportar! (...)  porque Jesus vê tudo o que fazemos.
 Como já era noite, ela falou:
-Por acaso ele usa óculos?!

4- Além dela, tenho uma filha doze anos  mais velha e os conflitos eram inevitáveis entre as duas pela diferença de  idade,  a mais velha não era muito paciente nesses casos e eu como mãe conciliadora  falava para a pequena que tratasse bem a irmã e que dissesse só palavras bonitas (...) achava que ela soubesse o que era "palavras bonitas".

E um dia ela "brigando" com a irmã, disse:
-Palavra bonita, palavra bonita!!! não vou aqui traduzir o que ela queria dizer na verdade, com essas duas palavras né?!

5- A madrinha dela ligou e ela atendeu ao telefone ( ela adorava  fazer isso ).
Chovia e a madrinha perguntou:
-Tá chovendo aí?
E claro que a resposta foi:
Aqui dentro não!

6- Criança cresce rápido e de vez em quando comprávamos roupas para ela e numa dessas vezes que estava falando ao telefone com a madrinha ela contou sobre as roupas novas e perguntou se ela queria ver, a madrinha disse que sim. Então ela espalhou as roupas no sofá, passou o telefone por cima de cada peça  e falou:
-Viu?!

7- Quem lembra da época da TV Colosso? Pois é,  essa foi para mim. É assim que conseguimos mudar nossos  paradigmas.
Ela estava assistindo a tal TV Colosso quando eu disse para ela:
-Não vejo graça nenhuma nisso: cachorro falando!
E ela respondeu:
-Não é para adulto mesmo, é para criança!!!
"Puts" imagine a minha cara!!!

 8- "Deixa, deixa, não pode dizer não!" era a frase que dizia quando pedia  autorização para fazer  alguma coisa.
Sempre educamos nossa filha dentro do que aprendemos ou achávamos que fosse o certo ensinar-lhe, e assim quando ela não "obedecia" chamávamos à atenção. Numa dessas vezes ela disse:
-Vocês não me obedecem e querem que eu obedeça vocês?!

Já bem crescidinha minha bb continuava dizendo das suas:
Estávamos conversando quando na TV passou sobre crianças que vivem na rua e que uma determinada pessoa falava que era preciso tirá-las. Ela foi mais rápida que a solução encontrada e dita na reportagem. Ela falou:
-Tirar as crianças da rua? e colocar onde? nas calçadas???

Apesar da "língua afiada" em algumas respostas, nunca nos deu grandes problemas e hoje é professora de pequenos e temos muito orgulho de ser seus pais.

Ah que saudade da espontaneidade das crianças!